quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Relógio




O colégio onde eu estudava quando menina costumava encerrar o ano letivo com
um espetáculo teatral. Eu adorava aquilo, porém nunca fora convidada para
participar, o que me trazia uma secreta mágoa.

Quando fiz onze anos avisaram-me que, finalmente iria ter um papel para
representar.

Fiquei felicíssima, mas esse estado de espírito durou pouco. Escolheram uma
colega minha para o desempenho do papel principal.

A mim coube uma ponta de pouca importância.

Minha decepção foi imensa. Voltei para casa em prantos.

Mamãe quis saber o que se passava e ouviu toda a minha história entre
lágrimas e soluços.

Sem nada dizer ela foi buscar o bonito relógio de bolso de papai e colocou-o
em minhas mãos, dizendo:

- Que é isso que você está vendo?

- Um relógio com mostrador e ponteiros.

Em seguida mamãe abriu a parte traseira do relógio e repetiu a pergunta:

- O que você está vendo?

- Ora mamãe, aí dentro parece haver centenas de engrenagens e parafusos.

Mamãe me surpreendia, pois aquilo nada tinha a ver com o motivo do meu
aborrecimento.

Entretanto, calmamente ela prosseguiu:

- Este relógio tão bonito e tão necessário ao seu pai, seria absolutamente
inútil se nele faltasse qualquer parte, mesmo a mais insignificante dessas
engrenagens ou o menor dos parafusos.

Nós nos entrefitamos e no seu olhar calmo e amoroso, eu compreendi sem que
ela precisasse dizer mais nada.

Essa pequena lição tem me ajudado muito a ser mais feliz na vida. Aprendi
com a máquina daquele relógio quão essencial são mesmo os deveres mais
ingratos e difíceis. O mais importante é que o trabalho, em conjunto, seja
para o bem de todos.

E percebi também que se o esforço tiver êxito, o que menos importa são os
aplausos exteriores. O que vale mesmo é a paz e a satisfação do dever
cumprido.


Essa História nos serve como reflexão. Quantas pessoas hoje em dia brigam por cargos de expressão dentro das igrejas, achando que Deus há de recompensá-las, ou então querem status, querem ser reconhecidas. Analisando o texto de Lucas 9: 46 a 48,

46 E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior.
47 Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a si,
48 E disse-lhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo é grande.
” vemos que o MAIOR não é aquele que se apresenta ou está amostra, o maio deve ser o MENOR. Em nossas igrejas quantos irmãos e irmãs estão sempre em oração pela igreja, e esses irmãos não buscam fama, muitos deles nem se quer são mencionados e anunciados na igreja, mais com certeza por Deus esses são considerados os MAIORES. Onde a fama ou o sucesso o levará?
Ser GRANDE perante os homens é ter bens, fama, dinheiro.
Agora ser GRANDE diante de Deus, é ser útil, amar ao próximo, ser benção onde quer que você esteja independente da sua qualidade social e financeira, é ser um parafuso de um relógio, onde é pouco notável, mais é indispensável.

Faça sempre o seu melhor pra Deus independente do seu cargo, seja ele de grande ou de pequena expressão, Deus não está preocupado com status, ele quer um coração sincero diante Dele.

Que Deus o abençoe...

Sidney Gonçalves
Diácono da Ass. de Deus
Senador Camará

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Louvor levado a sério


Em conversa com um amigo fui surpreendido com a resposta obtida. Falando sobre os músicos Levitas, tive a resposta de que “músico não tem compromisso”. Por 5 segundos fiquei em silêncio, mais não podia deixar isso barato. Respondi dizendo que sempre existe exceções, e nesse assunto não é diferente. Conheço muitos servos do Senhor ligados a música que são compromissados com a obra do Senhor, mais é fato que existe um outro grupinho que pensa que por estar com um microfone na mão ou um instrumento consigo, pronto, se acham uma estrela e pensam que a igreja é lugar certo para dar o seu Show.

Mais analisando friamente essa palavras que me foram ditas, me perguntei: Será que temos realmente cumprido o nosso papel como levita ? Será que sabemos que temos um grande responsabilidade diante de Deus? Será que temos sido aquilo que Deus quer de nós?

Deus nos deu um dom para que usemos em prol da sua obra, e servir a Deus é um presente. O compromisso de ser um levita vai além do tocar as quartas e domingos, é muito mais do que isso. Ser um Levita é zelar pelas coisas do Senhor, e o zelo traz consigo o cuidado com a forma que tratemos as coisas. É como aquele tênis novo que ganhamos e usamos uma vez e o colocamos na caixa novamente, é entender que a obra do Senhor é muito maior do que Eu, e muito além do que posso fazer. Servir a Deus como um Levita é entender que sou apenas um instrumento nas mãos do Senhor Jesus, e se sei alguma coisa ou se faço alguma coisa, é tudo em prol do reino de Deus, e o seu nome deve ser proclamado e levado com muita responsabilidade e seriedade.

Ser um Levita na casa de Deus, é muito além do que ser um bom músico, ter o domínio sobre o seu instrumento. É ter a graça de Deus sobre as nossas vidas e ser cheio da unção de Deus, para que ao emitirmos o nosso som através do louvor:

1º Deus seja adorado.
2º Almas sejam resgatadas pelo poder que há o nome do Senhor.

E o resultado disso é que o nosso louvor chegará ao trono de Deus.

Onde tem chegado o seu louvor ?

Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. João 4:23

Que Deus nos de entendimento da sua palavra.

Sidney Gonçalves

Chico Buarque de Samaria


No mês dos 64 anos de um dos mais respeitados artistas da nossa cultura brasileira, Francisco Buarque de Holanda, resolvi aceitar o desafio de navegar numa aventura transcultural sobre a maneira como Jesus iria relacionar-se com a nossa cultura brasileira caso vivesse em nossos tempos. Alias, será que Ele sairia de Israel, da sua cultura, será que se daria ao trabalho sentar-se em nossas rodas de conversa, em nossas praças, na beira do mar ou dos rios? Será que Ele ouviria o que temos a dizer, escrever, cantar, tocar e encenar do nosso jeito Tupiniquim? Isso que tentarei responder no final!

Bem, sei que não estou sozinho no meio evangélico brasileiro quando me disponho a me abrir às manifestações culturais populares do nosso país, mas também sei que não estou com a maioria, nem com o mais populares no meio. Lembro-me agora que os princípios batistas que, quando falam do governo da igreja, dizem que "nem a maioria, nem a minoria, nem tão pouco a unanimidade, refletem necessariamente a vontade divina"[1].

Sei que Ed René Kivitz me defenderia, caso fosse acusado de heresia, lançando mão de dois princípios da Reforma, a saber: a "Graça Comum" e o a "Imago Dei". Ele diria que a "Graça Comum" é a base para pensarmos que "a bondade, o governo e a instrumentalidade de Deus"[2] também influenciam pessoas que estão" à parte do conhecimento e do compromisso com o todo da revelação bíblica"[3] e a "Imago Dei" nos garantiria que todo ser humano é "capaz de expressar o ético e o estético divino"[4]. Sei também que Ariovaldo Ramos me defenderia, baseado em Mateus 28:19, dizendo que existe uma distinção entre a conversão de inúmeros indivíduos de uma nação e a conversão de uma nação como complexo cultural, por tanto, diria ele: "reconhecemos que uma nação está se convertendo quando esta nação passa a usar sua maneira própria de contar as suas mazelas para falar dos benefícios de servir a Cristo "[5].

Os dois argumentos são excelentes e são base para minha argumentação teológica, contudo, me parece que o maior motivo pelo qual o Brasil não experimenta esta abertura teológica-cultura não diz respeito apenas a idéia de que alguém que não tenha conhecimento bíblico não possa fazer algo interessante(Graça comum e Imago Dei) ou na idéia de demonização da nossa própria cultura local(Conversão da nação) e sim no fato de que a maioria cristã fundamentalista tem a idéia de que eles mesmo representam a matriz pronta e acabada da maneira correta de viver e servir a Cristo e que andar por outros caminhos significa literalmente desviar do "Caminho".

O circo Místico
(Chico Buarque - Edu Lobo)

Não
Não sei se é um truque banal
Se um invisível cordão
Sustenta a vida real

Cordas de uma orquestra
Sombras de um artista
Palcos de um planeta
E as dançarinas no grande final

Chove tanta flor
Que, sem refletir
Um ardoroso espectador
Vira colibri

Qual
Não sei se é nova ilusão
Se após o salto mortal
Existe outra encarnação

Membros de um elenco
Malas de um destino
Partes de uma orquestra
Duas meninas no imenso vagão

Negro refletor
Flores de organdi
E o grito do homem voador
Ao cair em si

Não sei se é vida real
Um invisível cordão
Após o salto mortal
1983 © - Marola Edições Musicais Ltda.

A música de Chico Buarque e Edu Lobo retrata na linguagem da Música Popular Brasileira aquilo que é inerente a todo ser humano no que diz respeito ao mistério da vida, da morte e do destino do homem. Temas profundamente relacionados à teologia e a humanidade em si! Mas os protestantes fundamentalistas teimam em restringir ao seu espaço social religioso.

Quando olho para o questionamento de Chico Buarque, uma passagem bíblica me vem mente e quero compartilhá-la. A famosa passagem da mulher samaritana que questiona a Cristo a respeito do lugar correto para adoração. Tradicionalmente a passagem é conhecida como aquela que começa em João no capítulo quatro, versículo primeiro e vai até o versículo trinta. Mas para mim a perícope começa quando Jesus fica sabendo que os fariseus tomaram conhecimento de onde Ele estava e, por tanto, Ele decide sair da Judéia e ir para Galiléia[6]. Para mim essa história começa quando Jesus foge dos religiosos que se pretendem donos da verdade e vai para outro lugar, outros caminhos.

O caminho de Jesus sempre teve abertura para encontros com outras culturas, outras opiniões e outras maneiras de ver. Não é sem motivo que ele tem um encontro com esta mulher da cidade de Samaria, mas o que representa Samaria? Se analisarmos a história monárquica de Israel, especialmente a divisão entre o Reino do Norte, Israel, com a capital em Samaria e o Reino do Sul, Judá, com capital em Jerusalém entenderemos que o clima é de guerra entre estes povos, antes homônimos e agora antagônicos. Esta história dá conta que tudo estava pronto para que uma guerra fosse deflagrada e Deus escolhe um profeta, Semaías, para que a tal guerra não ocorresse, no entanto, desde então "os judeus não se dão com os samaritanos" [7].

Imagine agora que Jesus passou mais de trinta anos ouvindo seus amigos e homens mais velhos dizer que os samaritanos não prestavam, imagine que quando Ele visitava o templo e conversava com os doutores da lei e eles diziam que os samaritanos não sabem onde adorar, pois segundo eles somente em Jerusalém se poderia adorar, o que é desmentido mais tarde.

Para responder aos questionamentos daquele ser humano Jesus não fez caso da condição dela de mulher e de samaritana, nem tão pouco da dEle de homem e judeu, a necessidade do outro no que tange a conhecimento da maneira correta de agradar a Deus moveu Jesus de tão grande compaixão que Ele transpôs todas as barreiras sociais que se interpunham entre eles.
Recapitulando: Aquele ser humano era uma mulher, ela era samaritana e mais adiante vemos que ela não tinha uma vida afetiva muito estável[8] e nada disso, segundo Jesus, seria impedimento para que ela ouvisse e fosse ouvida a respeito da maneira mais correta de adorar a Deus, nada disso seria impedimento para que houvesse um diálogo entre as matrizes de culturas diferentes a respeito da necessidade comum, de falar de Deus.

Por tanto eu defendo que nós, cristãos protestantes brasileiros adotemos uma postura mais aberta e estejamos prontos a ouvir tudo aquilo que nosso povo tem a dizer e a questionar, não com o interesse de detectarmos seus erros mais patentes e acusá-los, antes no desejo de nos aproximarmos cheios de compaixão e respeito, prontos a saciá-los de uma água que não se esgota. Precisamos fazer com que este povo não tenha mais sede e não tente mais buscar saciar sua sede nos poços de Jacó. Precisamos fazer com que essas pessoas tenham dentro em si uma fonte a jorrar, Para isso precisamos dar mais ouvidos a cultura popular brasileira, precisamos ouvir mais MPB!

Marcos Nunes
Analista de Sistemas SAP
Bacharel em Teologia
Cursando Licenciatura em Teologia pelo MEC


[1] Cathryn Smth, Princípios Batistas, Ponto 4.4 Igreja.Seu governo
[2] Ed René Kivitz, Outra Espiritualidade, Pág 227
[3] Ed René Kivitz, Outra Espiritualidade, Pág 227
[4] Ed René Kivitz, Outra Espiritualidade, Pág 228
[5] DVD Nossa Música Brasileira – vol 2, Sepal – Palestra de Ariovaldo Ramos
[6] João 4:1-3
[7] II Crônicas 11:1-4, João 4:9
[8] João 4:16-18

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Evangelho da Pressão!




Algum tempo tenho observado que alguns líderes religiosos estão utilizando de métodos de coação para alcançarem seus objetivos.


Já presenciei em alguns cultos e cursos líderes trabalharem com psicologia e atribuindo isso a questões espirituais, como diz um amigo; são pessoas que utilizam uma “psicologia barata.”


Esses líderes constroem uma teologia do medo da dependência da maldição da benção aprisionando as pessoas dentro de seus passados dentro de seus traumas, transformando o cristianismo em uma prisão psicológica que somente através de uma confissão seremos libertados.


Líderes que manipulam seus auditórios através de testemunhos de sucesso, querendo demonstrar que esse é cominho, escurecendo os olhos para a mensagem de libertação que Jesus ensina, quando em João 8 32 diz que: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará, e ainda conclui dizendo em João 14:6 “eu sou o caminho a verdade e a vida”, essa é a verdade de precisamos para libertação, Jesus .


Reconheço que pessoas têm sim muitos problemas psicológicos e traumas que precisam ser curados, mas acredito na suficiência de Deus diante de todas as coisas.


Então fica
um questionamento; aonde queremos viver aprisionados pelo medo, e sua teologia ou
libertos pelo cristianismo?

.


B' nai Mitzvá


B'nai Mitzvá (filhos do mandamento) é o nome dado à cerimônia que insere o jovem judeu como um membro maduro na comunidade judaica.


Quando uma criança judia atinge a sua maturidade (aos 12 anos de idade, mais um dia para as meninas; e aos 13 anos e um dia para os rapazes), passa a tornar-se responsável pelos seus atos, de acordo com a lei judaica. Nessa altura, diz-se que o menino passa a ser Bar Mitzvá ( בר מצוה , "filho do mandamento"); e a menina passa a ser Bat Mitzvá (בת מצוה, "filha do mandamento").


Ao completar 13 anos, o jovem judeu é chamado pela primeira vez para a leitura da Torah (conhecido como Pentateuco pelos cristãos). Ao ser chamado pela primeira vez, o jovem pode, a partir daí, integrar o miniam (quórum mínimo de 10 homens adultos para realização de certas cerimônias judaicas).


Antes desta idade, são os pais os responsáveis pelos atos dos filhos. Depois desta idade, os rapazes e moças podem finalmente participar em todas as áreas da vida da comunidade e assumir a sua responsabilidade na lei ritual judaica, tradição e ética.


O Bar Mitzváh não é só uma comemoração comum de aniversario, mas normalmente o menino, passa por uma bonita cerimônia de "mazal-tov" que seria como um "boa sorte" ou "parabéns"(dependendo da situação), normalmente o Mazan-tov é feito com o(a) menino(a) sobre uma cadeira e ele(a) é levantado varias vezes, e assim fazem com toda a família do Barmitzvano. Deste modo é realizado uma parte do Bar Mitzvah.
Fonte: "
http://pt.wikipedia.org/wiki/B%27nai_Mitzv%C3%A1"

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Aproveite a Vida

Aproveite sua vida; já é mais tarde do que você pensa, diz Valter Oberst, esse é o sentimento que encontramos no rumo de nossas vidas, nossas escolhas nos levam para caminhos que entorpecem nossos sentidos paralizando nossas vidas.


Aproveite cada momento como se fosse o ultimo, lembrando que cada segundo é um milagre que não se repede, nossa concepção da vida revela quem seremos e como aproveitaremos nossos dias, recordo de uma compisição de Sérgio Britto, que demonstra um pouco desse sentimento de pessoas que passaram pela vida sem Aproveita-lá.

diz asim;


Devia ter amado mais ter chorado mais ter visto o sol nascer devia ter arriscado mais e até errado mais ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado as pessoas como elas são cada um sabe alegria e a dor que traz no coração...
Devia ter complicado menos trabalhado menos ter visto o sol se pôr devia ter me importado menos com problemas pequenos ter morrido de amor...

APROVEITE A VIDA; JÁ É MAIS TARDE DO QUE VOCÊ PENSA!!! Valter Oberst.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A vida é tão rara.

Para alguns a vida é como uma fumação que um instante se esvaira no ar, para outros é como uma corrida em rumo aos sonhos, para outros é uma passagem para vida eterna, não importa o sentido, no fim da historia fica a sensação que a vida tão rapida.


Poetas, escritores, compositores e religiosos tentam de alguma maneira descrever esse mistério, mas só o tempo demonstra que a vida é tão rara.
Rara por seus detalhes, e pela sua grandeza, pelas suas alegrias e tristezas, como diz Charles Chaplin

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore,
dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine
sem aplausos.”

Então fica os momentos as horas os minutos os segundos para que possamos viver da melhor forma, para entendermos que a vida é tão rara, como transmite um compositor em sua musica.
Mesmo quando tudo pede Um pouco mais de calma Até quando o corpo pede Um pouco mais de alma A vida não pára...
Enquanto o tempo Acelera e pede pressa Eu me recuso faço horaVou na valsa A vida é tão rara...
Enquanto todo mundo Espera a cura do mal E a loucura finge Que isso tudo é normal Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando Cada vez mais veloz A gente espera do mundo E o mundo espera de nós Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo Que lhe falta prá perceber? Será que temos esse tempo Prá perder? E quem quer saber? A vida é tão raraTão rara...
Mesmo quando tudo pede Um pouco mais de calma Até quando o corpo pede Um pouco mais de alma Eu sei, a vida não páraA vida não pára não...
Será que é tempo Que lhe falta prá perceber? Será que temos esse tempo Prá perder? E quem quer saber? A vida é tão rara

terça-feira, 11 de agosto de 2009

É preciso saber Viver


Saber viver é tão complexo e apresenta tantas faces que é impossível definir uma receita única de felicidade e bem estar. Mas é importante demais saber viver; Viver bem...Viver em paz...Viver feliz!!!
A escritora,Solange Zambelli,definiu essa complexidade,da seguinte forma:
"...A nossa vida é
recheada de substantivos abstratos: tristezas, alegrias,dores,amores,paixões, saudades e ciúmes,que o
tempero certo da vida é muito variável para cada ser humano;
Viver bem não é apenas ter alegrias, mas sim contrabalança-las com as tristezas, derrotas ou danos..." Saber viver não é apenas ocupar e rechear nossos dias de atividades para driblar o ócio e a solidão; saber viver é também curtir nossos momentos de solidão e viver os dias de ócio sem culpas ou ressentimentos.


Saber viver é descobrir que temos hora para trabalhar, hora para descansar, hora para brincar, hora para levar a vida a sério, hora para não fazer nada. Saber viver, é amar pra valer e não só um pouquinho, perdoar de verdade e não apenas da boca pra fora,confiar integralmente e não apenas pela metade e chorar nossas dores sem precisar ocultá-las ou disfarça-las. Portanto vivam,intensamente,completamente...Vivam sem medo e sem receio de serem felizes!!!

“Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida, impondo-se ao poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”, artigo 255 da Constituição Federal.

Como diz a composição de Erasmo carlos e Roberto carlos; É preciso saber viver.
Quem espera que a vida Seja feita de ilusão Pode até ficar maluco ou morrer na
solidão É preciso ter cuidado Pra mais tarde não sofrer É preciso saber viver
Toda pedra do caminho Você pode retirar Numa flor que tem espinhos Você pode se
arranhar Se o bem e o mal existem Você pode escolher É preciso saber viver Saber
viver, saber viver!
por: Felippe Patricio

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Entre Turista e Peregrinos

Todos estes viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-no de longe e de longe o saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra” (Hebreus 11.13).


O sociólogo polonês Zygmunt Bauman usa a imagem do turista para representar um comportamento bastante comum nos dias de hoje. Turista é aquele indivíduo que visita muitos lugares, mas não pertence a nenhum deles. Às vezes, fica extasiado com aquilo que vê; em outras ocasiões, o desdenha por ter em sua mente um grande quadro comparativo de lugares e situações. Seja qual for seu sentimento, não pretende se comprometer com nada à sua volta. Afinal, está apenas de passagem. Sua maior motivação está vinculada à descoberta de novos lugares, à vivência de novas experiências.


Por outro lado, Bauman apresenta a imagem do peregrino. O peregrino é uma espécie em extinção em nossa cultura contemporânea. Diferentemente do turista, ele não está envolvido numa aventura de entretenimento, mas numa jornada que tem um início, um meio e um fim. Algo o moveu a iniciar a jornada, e ele percebe que, ao longo dela, existe uma missão a ser vivenciada – e a realidade última se encontra no fim da caminhada. Tudo o que presencia ao longo do caminho são pontos de referência de grande importância e, portanto, tratados com grande reverência por parte do peregrino.


Interessante que não poucas vezes na história da espiritualidade cristã os discípulos de Cristo são comparados aos peregrinos. Existe uma estreita relação entre a jornada de um cristão e a experiência de um peregrino. Ambas possuem alguns elementos em comum: a consciência de que a realidade última está ainda por vir; a sensibilidade de que o caminho que trilham pertence ao processo da descoberta e do preparo de si mesmo para esta realidade final; e, por fim, o senso de missão para com os lugares por onde passam e as pessoas que encontram em direção do lugar almejado.


As metáforas de Bauman remetem-nos às maiores barreiras impostas pela nossa cultura ao desenvolvimento de uma espiritualidade biblicamente consistente e sadia. Em nossas igrejas, não é difícil constatar a presença massiva de pessoas mais parecidas com turistas do que com peregrinos. Elas estão ali para usufruir do espaço, degustar das informações transmitidas do púlpito e, principalmente, experimentar o clima. Tão logo se sintam saciados com o que é oferecido e com a forma como as coisas acontecem, são tomados pelo tédio; logo serão impulsionados na direção de um novo lugar, onde encontrarão novas informações e terão novas experiências. Como consequência disso, é triste constatar que algumas de nossas igrejas se tornaram “centro turísticos”, com diferentes elementos de fascinação. Em algumas delas, a atração principal é o famoso pregador com seu poder de reflexão; em outras, é a música de adoração, com seu poder de arrebatamento coletivo. Há também denominações onde o clímax é o momento de oração, com seu alardeado poder de convencer Deus a agir e, até mesmo, de coagi-lo a mudar de ideia diante de determinadas situações.


O que muitos cristãos não se dão conta é da completa inviabilidade de uma espiritualidade sadia nessa cultura gerada por demandas de turistas. Enquanto turistas estão comprometidos apenas com o próprio prazer e seu insaciável desejo por entretenimento, peregrinos estão comprometidos com uma jornada na qual possuem uma vocação a ser exercida ao longo do caminho. Enquanto turistas consomem lugares e atrações como fins em si mesmos, peregrinos estabelecem relacionamentos, caminhando com reverência e integrando as experiências – e as pessoas que encontra – na construção da própria maturidade. Turistas estabelecem relacionamentos frágeis e descartáveis; peregrinos descobrem, especialmente na vivência com aqueles com quem caminham lado a lado na jornada, uma grande fonte de consolo, confronto, encorajamento e sabedoria.


Turistas, de forma geral, não possuem qualquer compromisso para com o mundo à sua volta. Afinal, pensam, estão apenas de passagem, e importa apenas aproveitar o momento, antes de seguir viagem. Já peregrinos estão numa jornada que os faz o próximo daquele que está à beira do caminho, tal como o samaritano da parábola. Eles querem ser luz e sal, sentem o chamado para influenciar os outros com sua ação e testemunho.


Como cristãos, temos tido uma postura de turista ou de peregrino diante da nossa
comunidade e para com o mundo no qual estamos inseridos? Qual seria o reflexo em
nossas vidas, comunidades e sociedades se, na contramão da cultura do superficial e do
transitório, aceitássemos o desafio de viver como peregrinos, e não turistas?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Qualificando o Próximo



Ao criticar uma teologia que defende que Deus abriu mão do conhecimento do futuro, Ariovaldo Ramos mostra que a teologia tem de ter um mínimo de lógica.


"Quem é o meu próximo?", pergunta para Jesus o mestre da lei (Lucas 10.29). Jesus, então, conta a parábola do samaritano. Daí devolve a pergunta ao doutor: "Quem foi o próximo do homem que caiu na mão dos salteadores?" De fato, Jesus não a devolveu exatamente, mas a refez. Da forma como a elaborou, ele sugeriu que o mestre da lei ao invés de perguntar "Quem é o meu próximo?" deveria ter perguntado "De quem devo ser próximo?". E a resposta é clara: daquele que você vê que precisa de você.


Essa resposta qualifica o próximo a quem se deve amar como o necessitado, o despossuído, o abusado, o explorado, e a única condição prévia para sua qualificação é que ele seja visto. Isto justifica trazer à tona toda a ordem de abuso e desrespeito ao ser humano para que ele possa ser visto e amado, ou seja, socorrido. Este socorro pode vir por meio do impedimento da violência – o que é mais eficaz – ou restaurando-se o indivíduo que a sofreu.


O próximo não é todo mundo, porque todo mundo não é ninguém – o próximo é o necessitado. Jesus, na parábola, também qualifica o que significa ver alguém. Aparentemente, todos os protagonistas viram o homem na beira da estrada, porém só um se compadeceu com uma compaixão ativa. Foi este quem de fato o viu.



O bispo irlandês Geoge Berkeley disse que "ser é ser percebido". Nesta parábola,
Jesus qualifica que tipo de percepção dá ao observado a qualidade ontológica.


Nesta história, Jesus também qualifica o ser humano, mormente o necessitado, como prioridade máxima. Isto ocorre quando ele menciona que o samaritano, provavelmente um negociante, submeteu sua agenda à necessidade do outro, parando, socorrendo-o, cedendo-lhe o animal e diminuindo drasticamente seu ritmo, tendo ainda lançado mão de seus próprios recursos para tratar do necessitado e se comprometido com a total restauração do mesmo.
Portanto, o desafio que se apresenta ao cristão e à comunidade cristã na parábola do samaritano é o de se aproximar do necessitado. O próximo está qualificado
Fonte: Ariovaldo Ramos

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A Nova Encíclica do Papa Bento XVI

No dia 07de julho, foi publicada a nova encíclica do papa Bento XVI, com o título: CARITAS IN VERITATE (Caridade na verdade). O documento aborda temas Sociais e econômicos. Suas reflexões levaram em conta a grave crise econômica e financeira atual que nos obriga a repensar os rumos da economia; a crise da ganância, uma crise onde só se visa o lucro, deixando de lado a muitas vezes, o ser humano. Quem paga a conta são os trabalhadores e os pobres, sem falar das conseqüências desastrosas para o equilíbrio ambiental.

O Papa Quer a luz de Cristo iluminando essa situação.

O nome da encíclica retrata o coração dela. O papa quer a caridade dentro da verdade. Para ele, devemos fazer a caridade dentro da moral, da ética-da lei de cristo. Ele ressalta a importância de ética no processo econômico: não de uma ética qualquer, mas de uma ética amigada pessoa.

Para o para o progresso necessita da verdade.sem ela a atividade social acaba á mercê de interesses privados e lógicos de poder. Com efeitos desagregadores na sociedade.

Na conclusão da encíclica, o Papa sublinha que o desenvolvimento necessita de cristãos com braços levantados para Deus, em atitude de oração, amor e perdão,renúncia a si mesmo,acolhimento ao próximo,justiça e paz.

"A caridade na verdade, que Jesus testemunhou é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira."

Fonte:Paróquia São José do jardim Botânico-Nº11Agosto/09

terça-feira, 28 de julho de 2009

Jesus, modelo abandonado.

"Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor? Mas Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”Isaías 53: 1 e 5"

Jesus veio ao mundo para revolucionar os conceitos religiosos e de relacionamento estabelecendo uma nova página na história. Ao examinarmos os Evangelhos veremos com exatidão as formas estabelecidas para que o homem pudesse ter uma relação direta com o Criador. O primeiro aspecto a ser observado é quanto à origem e a VIDA HUMILDE de Jesus e seus familiares, fato que hoje é sequer lembrado pelas lideranças religiosas de nossos dias. Estrebaria, jumento, berço de palha dão a dimensão do sofrimento experimentado por Jesus já nos seus primeiros dias, isto inclui um fuga para o Egito evitando que, por providência Divina, a sua morte não fosse antecipada.

Ele foi TENTADO, mas não cedeu! Recebeu ofertas, irrecusáveis aos olhos humanos, vindas de Satanás, no entanto recusou qualquer tipo de NEGOCIATA com o inimigo. Jesus tratou com extrema clareza sobre temas como oração, milagres, ética, relacionamentos pessoais e como lidar com as armadilhas montadas pelo Diabo ao longo de seu ministério. Escolheu DOZE homens simples, mas de “conduta exemplar” para assessorá-lo na sua caminhada rumo a cruz e sem exibicionismo ou qualquer coisa semelhante ele cumpriu a sua missão. A marca registrada na sua passagem por este mundo foi sem dúvida a HUMILDADE, ele viveu uma vida sem estrelismo, sem propaganda e sem se envolver com as coisas deste mundo. Na cruz, ao afirmar: “…Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” – Lucas 23:24, ele expressou todo o seu amor e a sua capacidade de perdoar aqueles que o crucificaram.

Mas infelizmente MODELO DE JESUS tornou-se arcaico e ultrapassado para o cristianismo moderno sendo substituído por uma religiosidade mais leve e com um menor grau de pobreza material. A realidade dura é que os homens que fazem a religião andar por empurrões, já que funcionar é difícil, não querem se submeter a um modelo de religião que verdadeiramente expresse aquilo que Jesus fez e ensinou aos seus seguidores. A POBREZA ESPIRITUAL é dominante em todos os lugares em que se reúne para cultuar a Deus, em alguns casos fica até difícil saber se é uma casa de oração ou um local de ESPETÁCULO.

Jesus, ao realizar os seus milagres, jamais prometeu PROSPERIDADE a ninguém, também não se VANGLORIAVA de ter sido usado como instrumento da ação de Deus na vida das pessoas. Para Jesus era imperativo que a religião fosse respeitada e isto está claro quando ele, no templo, chicoteou os que faziam daquele local um mercado livre para venderem seus produtos. Hoje, para a vergonha nossa o que se vê são verdadeiras “FEIRAS LIVRES” dentro de nossos templos onde se vende de tudo, inclusive a HONRA. O Evangelho vive hoje da “PROPAGANDA”, a maioria “ENGANOSA”, pois oferecem coisas que não constam das práticas ensinadas por Jesus nos Evangelhos, algumas são absurdas!

O “MODELO JESUS” foi trocado por modelos modernos, homens que vivem e andam conforme a moda do momento manda, são literalmente dirigidos por uma cultura que valoriza o estereótipo onde não faltam as marcas famosas tanto de roupas como nos outros bens de consumo. O Jesus humilde foi substituído por um ”jesus“ vaidoso, enganador, arrogante, prepotente, orgulhoso, explorador, um “cristo” voltado para a riqueza e para o luxo, tudo apoiado sobre o alicerce da “PROSPERIDADE” prometida por homens, mas que não têm respaldo nas Escrituras. Jesus hoje é um mero expectador nas reuniões solenes, até porque com toda a parafernália inserida no ritual de culto, não sobra espaço para que Ele possa ser lembrado, adorado e reconhecido como o ponto central de qualquer celebração.

JESUS PAGOU PELO SEU MINISTÉRIO COM A PRÓPRIA VIDA, hoje os LÍDERES religiosos, ministros sabe-se lá de que, cobram e caro para pregarem um evangelho distorcido que, via de regra, deixa a VERDADE de lado, abraçando conceitos modernos de se promoverem. O que afirmo é fartamente comprovado diante da concorrência estabelecida entre as diversas correntes religiosas de nosso Brasil. As cifra$ são altas e não param de surgir “EMPREJAS” – Empresas+Igrejas – por toda a parte, a grande maioria de olho no BOLSO e não na ALMA do cidadão. E o MODELO JESUS…

segunda-feira, 27 de julho de 2009

PAZ

Esta palavra hebraica, shalom, vem das raízes sumérica (silim) e acádica (shalamu) e significa estar: são, salvo, intacto ou livre de perigos.

Ao ser utilizada em objetos orgânicos tem o sentido de saudável; na sociedade tem o sentido de estar vivendo em ordem e felicidade. Para os filhos de Israel significava uma harmonia total dentro da sociedade, a qual em razão da ordem dada é impregnada da bênção de Iavé, a qual torna possível o crescimento do homem livre e sem empecilhos em todas as direções da sua vida.

Shalom não é a ausência de guerra, mas a plenitude da existência humana, na fecundidade de todo o ser e na contemplação de Iavé. É o bem-estar dentro de uma sociedade. Demonstra o bem-estar dos filhos de Israel e somente Iavé é quem pode proporcionar este bem-estar na vida deles. Não é a paz proporcionada por qualquer poder que a impõe, como era a pax romana.

A expressão shalom significa que Iavé estabelece sobre os filhos de Israel aquela perfeita harmonia e a felicidade em todas as direções. É seu desejo expresso que todos os filhos de Israel cresçam e desenvolvam bem, estando livres de qualquer tipo de problema.
A paz que a Bíblia fala é cheia e repleta da bênção de Iavé.
por: Felippe Patricio

Evangelho da "Porta da Rua"

Certa vez estava em uma reunião religiosa quando me deparei com uma situação constrangedora, o líder religioso que dirigia essa reunião estava desafiando seus fieis a uma entrega, a uma busca maior por Deus, até que ele chega ao ápice da sua pregação dizendo:

“quem não estiver interessado em buscar mais a Deus, e se entregar, é melhor que não esteja aqui”, e apontando para a porta da Rua continuava ele “A PORTA DA RUA É SEVENTIA DA CASA”.

Não me conformo com isso, e me questiono até que ponto, ou melhor, até quando esse evangelho de pressão vai adiantar?, amedrontar as pessoas ou expulsá-las da “casa de Deus” ira fazer com que um indivíduo se entregue verdadeiramente?

Jesus em sua mensagem ressaltou o amor incondicional sem exclusão, ele amou a todos, ricos, pobres, viúvas, leprosos, prostitutas, pescadores.

Temos que questionar e não fechar os olhos para esse tipo de evangelho, somente através da compreensão da Graça de Deus que iremos nos libertar, só assim viveremos um cristianismo autêntico que manifeste o amor do Pai.

por: Felippe Patricio.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A vida de Jesus Cristo.

O Novo Testamento conduz-nos ao clímax da oba redentora de Deus, porque nos apresenta o Messias, Jesus Cristo, e nos fala do começo da sua igreja. Os escritos de Mateus, Marcos, Lucas e João falam-nos do ministério de Jesus. Esses escritores foram testemunhas oculares da vida do Mestre, ou registraram o que testemunhas oculares lhes contaram, todavia não escreveram dele uma biografia completa. Tudo quanto registraram, realmente aconteceu, porém concentraram-se no ministério de Jesus, e deixaram aqui e acolá algumas lacunas na história da vida do Divino Mestre. Os homens que escreveram os evangelhos tinham em mira explicar a pessoa e a obra de Jesus, registrando o que ele fez e disse.

E cada autor apresenta uma perspectiva ligeiramente diferente acerca de Jesus e de suas obras. Os autores dos Evangelhos não tentaram relatar todos os eventos da meninice de Jesus, porque não era esse o motivo de escreverem. Não procuraram dar-nos, tampouco, registro da vida cotidiana. Eles se ativeram ao que é pertinente à salvação e ao discipulado.

O NT é a única fonte de informação substancial do primeiro século que temos a respeito da vida de Jesus. A literatura judaica ou romana daquele tempo quase não o menciona. Flávio Josefo, historiador judeu do primeiro século, escreveu um livro sobre a história do judaísmo, procurando mostrar aos romanos e gregos que essa religião não se distanciava muito do estilo de vida deles. Disse ele: “Ora, havia por esse tempo Jesus, um homem sábio, se for legítimo chamá-lo de homem, pois ele era um operador de obras maravilhosas, um mestre de quem os homens recebem a verdade com prazer. Atraiu para si muitos dos judeus e muitos dos gentios, ele era [o] Cristo. E quando Pilatos, por sugestão dos principais homens entre nós, condenou-o à cruz, os que o amavam a princípio não o abandonaram; pois ele apareceu-lhes vivo de novo no terceiro dia; conforme haviam predito os profetas divinos essas e dez mil outras coisas maravilhosas concernentes a ele. E o grupo de cristão assim chamado em virtude de seu nome, não se extinguiu até hoje.” ( Flavius Josephus, Antiquities of the Jews, Livro XVIII, cap. iii, Sec 3.)

Os judeus dos dias de Jesus viviam na expectativa de grandes acontecimentos. Os romanos os oprimiam, mas eles estavam seguramente convictos de que o Messias viria em breve. Os variados grupos retratavam diferentemente o Messias, mas seria difícil, naquele tempo, encontrar um judeu que vivesse sem alguma forma de esperança. Alguns tinham a verdadeira fé e aguardavam ansiosos a vinda de um Messias que seria seu Salvador espiritual.

Por volta do ano 6 aC, o sacerdote Zacarias oficiava no templo em Jerusalém. Queimava incenso no altar durante a oração vespertina quando lhe apareceu um anjo anunciando para breve o nascimento do primeiro descendente do sacerdote, um menino. Esse filho prepararia o caminho para o Messias; o espírito e o poder de Elias repousariam sobre ele (Lc3.3-6). Seus pais deviam chamar-lhe João. Zacarias era um homem verdadeiramente piedoso, mas foi difícil crer no que ouvira; como conseqüência, ficou mudo até que Isabel (sua esposa) deu à luz. Nasceu o filho, foi circuncidado, e recebeu o nome segundo as instruções de Deus. Depois disso Zacarias readquiriu a voz e louvor ao Senhor.

Três meses antes do nascimento de João, o mesmo anjo (Gabriel) apareceu a Maria. Esta jovem era noiva de José, carpinteiro descendente de Davi (Is 11.1). O anjo disse a Maria que ela conceberia um filho por obra do ES, e que ela daria ao menino o nome de Jesus (Lc 1.32-35; Mt 1.21). Ela aceitou a mensagem com grande mansidão, contente por estar vivendo na vontade de Deus (Lc 1.38).

Gabriel também lhe disse que sua prima Isabel estava grávida, e Maria apressou-se a partilhar o júbilo mútuo. Ao encontrarem-se, Isabel saudou a Maria como a mãe de seu Senhor (Lc 1.39-45). Maria irrompeu num cântico de louvor (Lc 1.46-56), ela ficou três meses com Isabel.José, o marido prometido a Maria, ficou totalmente chocado com o que parecia ser fruto de um terrível pecado (Mt 1.19) e resolveu abandoná-la secretamente. Então, em sonho, um anjo lhe explicou a situação, e instruiu-o a casar-se com Maria, sua pretendida esposa, como planejado. Herodes o Grande reinava na Judéia quando Jesus nasceu (Mt 2.1). Em suasAntigüidades, Josefo escreve que houve um eclipse da lua pouco antes da morte de Herodes (Livro XVII, cap xiii, Séc. 2). Esse eclipse poderia ser qualquer um dos três ocorridos nos anos de 5 e 4 aC; mas provável alternativa é 12 de março de 4 aC. Além do mais, o historiador judeu declara que o rei morreu pouco antes da Páscoa (Livro XVII, cap vi, Séc. 4) e a Páscoa ocorreu no dia 11 de abril do ano 4 aC. Assim, devemos concluir que Herodes morreu nos primeiros dias de Abril deste ano.Os magos do Oriente vieram adorar o Messias de Deus, mas uma vez que voltaram sem dar informação alguma a Herodes, ele mandou que seus soldados matassem todos os meninos de Belém de dois anos para baixo (Mt 2.16). Isto quer dizer que Jesus nasceu no ano 6 ou 5 aC, e foi levado para o Egito no ano 4 aC.

Não sabemos com exatidão em que mês e dia Jesus nasceu. A data 25 de dezembro não é muito provável. A igreja de Roma escolheu esse dia para celebrar o nascimento de Cristo, já no segundo ou terceiro século, a fim de obscurecer um dia santo de origem pagã, comemorado tradicionalmente neste dia. Anteriormente, a igreja Ortodoxa Oriental decidira honrar o nascimento de Cristo no dia 6 de janeiro, a epifania. Mas por estabelecer a data no inverno? As probabilidades de que os pastores cuidassem de seus rebanhos à noite, nas colinas, são mínimas. É mais provável que Jesus tenha nascido no outono ou na primavera.

Conhecemos cinco eventos da infância de Jesus, são eles:1) Circuncisão – De acordo com a lei judaica, ele foi circuncidado ao oitavo dia e recebeu o nome de Jesus (Lc 2.21).2) Apresentado no templo – Ele foi apresentado no templo para selar a circuncisão e também foi “redimido” pelo pagamento dos cinco ciclos. Para efeito de sua purificação, Maria fez a oferta dos pobres (Lv 12.8; Lc 2.24).3) Visita dos Magos – Um grupo de “sábios” apareceu em Jerusalém, inquirindo acerca do nascimento de um “rei dos judeus”. (Mt 2.2).4) Fuga para o Egito – Deus disse a José que fugisse para o Egito com toda a família. Após a morte de Herodes, José voltou, e fixou residência em Nazaré.5) Visita ao Templo – Quando tinha aproximadamente 12 anos (Lc 2.41-52) foi com os pais ao templo em Jerusalém e oferecer sacrifício. Enquanto estava ali, Jesus conversou com os dirigentes religiosos sobre a fé judaica. Ele revelou extraordinária compreensão do verdadeiro Deus, e suas respostas deixaram-nos admirados. Mais tarde, de volta para casa, os pais de Jesus notaram a sua ausência. Encontraram-no no templo, ainda conversando com os especialistas judaicos.

A Bíblia cala-se até ao ponto em que nos apresenta os acontecimentos que deram início ao ministério de Jesus, tendo ele cerca de trinta anos. Primeiro vemos João Batista deixando o deserto e pregando nas cidades ao longo do rio Jordão, instando com o povo a que se preparasse para receber o Messias (Lc 3.3-9). João nasceu no seio de uma família piedosa e cresceu para amar e servir fielmente a Deus. Deus falava por meio de João, e multidões acudiam para ouvi-lo pregar. Dizia-lhes que se voltassem para Deus e começassem a obedecer-lhe. Ao ver Jesus, ele anunciou que este homem era o “…Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). João batizou a Jesus; e ao sair Jesus das águas, Deus enviou o Espírito Santo em forma de pomba, que pousou sobre ele.

O ES guiou Jesus ao deserto, e aí ele permaneceu sem alimentar-se durante quarenta dias. Enquanto ele se encontrava nessa situação de enfraquecimento, o diabo veio e procurou tentá-lo de vários modos. Jesus recusou as propostas do diabo e ordenou que ele se retirasse. Então vieram anjos que o alimentaram e confortaram.A princípio Jesus tinha a estima do povo. Na região do mar da Galiléia ele foi a uma festa de casamento e transformou água em vinho. este foi o primeiro de seus milagres que a Bíblia menciona. Este milagre, da mesma forma que os últimos, demonstrou que ele era verdadeiramente Deus. Da Galiléia ele foi para Jerusalém onde expulsou do templo um grupo de religiosos vendedores ambulantes. Pela primeira vez ele asseverou de público sua autoridade sobre a vida religiosa do povo, o que fez que muitos dirigentes religiosos se voltasse contra ele.Um desses dirigentes, Nicodemos, viu que Jesus ensinava a verdade acerca de Deus. Certa noite ele foi ter com Jesus e lhe perguntou como poderia entrar no reino de Deus, que é o reino de redenção e salvação. (Jo 3.3)Quando João Batista começou a pregar e atrair grandes multidões na Judéia, Jesus voltou para a Galiléia. Aí ele operou muitos milagres e grandes multidões o cercavam. Infelizmente, as multidões estavam mais interessadas nos seus milagres do que nos seus ensinos.Não obstante, Jesus continuou ensinando. Ele entrava nos lares, participava das festas públicas, e adorava com os outros judeus em suas sinagogas. Denunciou os dirigentes religiosos do seu tempo porque exibiam uma fé hipócrita. Ele não rejeitou a religião formal deles; pelo contrário, Jesus respeitava o templo e a adoração que aí se prestava (Mt 5.17-18). Mas os fariseus e outros dirigentes não viram nele o Messias e não cuidaram de ser salvos do pecado. Além do mais, não satisfeitos com o que Deus lhes revelara no AT, continuaram fazendo-lhe acréscimos e revisando-o. Acreditavam que sua versão das Escrituras, examinada nos seus mínimos detalhes, dava-lhes a única religião verdadeira. Jesus chamou-os de volta às primitivas palavras de Deus. Ele era cuidadoso na sua forma de citar as Escrituras, e incitava seus seguidores a entendê-las melhor. Ensinava que o conhecimento básico das Escrituras mostraria que a vontade de Deus era que as pessoas fosse salvas mediante a fé nele.Perto da Galiléia, Jesus operou seu mais surpreendente milagre até então. Tomou sete pães e dois peixes, abençoou-os e partiu-os em pedaços suficientes para alimentar quatro mil pessoas! Mas este milagre não atraiu mais gente à fé em Jesus; na verdade, as pessoas se retiraram porque não podiam imaginar por que e como ele queria que elas “comessem” seu corpo e “bebessem” seu sangue ( Jo 6.52-66).Os doze discípulos, porém, permaneceram fiéis, e ele começou a concentrar seus esforços em prepará-los. Cada vez mais ensinava-lhes acerca de sua futura morte e ressurreição, explicando-lhes que eles também sofreriam a morte se continuassem a segui-lo.

Esta atitude de Jesus o leva ao fim da sua vida na terra. Judas Iscariotes, um dos doze, traiu-o, entregando-o aos líderes de Jerusalém, que lhe eram hostis, e eles pregaram Jesus numa cruz de madeira entre criminosos comuns. Mas ele ressuscitou e apareceu a muitos de seus seguidores, exatamente como havia prometido, e deu instruções finais aos seus discípulos mais íntimos. Enquanto o observavam subir ao céu, apareceu um anjo e disse que eles os veriam voltar do mesmo modo. Em outras palavras, ele voltaria de modo visível e em seu corpo físico.

Fonte: O Mundo do Novo Testamento – Editora Vida